O que a ciência investigou
Um estudo conduzido pelas University of California (UC Davis) e University of British (UBC) avaliou por 10 semanas os efeitos da marca a fogo no bem-estar de bezerros de corte. O objetivo era medir o quanto o ferimento do ferro quente permanece doloroso, quanto tempo leva para cicatrizar e se o uso de anti-inflamatório aliviaria ou não o desconforto.
Principais resultados
- A dor causada pela marca a fogo é intensa e dura até 10 semanas após o procedimento.
- Apenas 67% dos animais estavam com as feridas completamente cicatrizadas após 10 semanas.
- A aplicação de um anti-inflamatório injetável (flunixina) não reduziu a dor da marca nem acelerou a cicatrização.
- Os bezerros marcados apresentaram maior sensibilidade à dor ao toque no local da marca durante todo o período avaliado.️ A área marcada manteve temperatura mais alta (sinal de inflamação) mesmo após 6 a 10 semanas.
- A marca a fogo não alterou significativamente o comportamento de descanso (deitar-se) dos animais, mas o desconforto local persistiu.
O que isso significa na prática
Apesar de ser uma prática tradicional, a marca a fogo causa dor prolongada nos animais e sua cicatrização é lenta. Além disso, o uso de medicamentos não foi suficiente para aliviar esse sofrimento.
Essas evidências reforçam a necessidade de adotar métodos de identificação mais humanitários, como brincos, tatuagens ou dispositivos eletrônicos, que não geram feridas abertas e reduzem o estresse dos animais.
Referência:
Tucker, C.B., Mintline, E.M., Banuelos, J. et al. (2014). Pain sensitivity and healing of hot-iron cattle brands. Journal of Animal Science, 92:5674–5682. DOI: 10.2527/jas2014-7887
