O que o estudo avaliou
Pesquisadores da SLU (Suécia) e do Grupo ETCO da UNESP Jaboticabal (Brasil) avaliaram 92 bezerras Nelore e cruzadas submetidas à marca a fogo na face no momento da vacinação contra brucelose — exigência do MAPA. O estudo comparou o efeito de quatro protocolos:
- CO (Controle): sem qualquer alívio da dor;
- LA (Anestesia local): lidocaína + bupivacaína no local da marca;
- LT (Analgésico): meloxicam intramuscular;
- LL (Anestesia + analgésico): combinação dos dois.
Os animais foram avaliados em diferentes momentos (antes, durante, 5 e 60 dias após a marca), com foco em comportamento, expressões faciais de dor, velocidade de fuga e ganho de peso.
Principais achados
- Todos os grupos apresentaram reações de medo, tensão e dor durante a contenção e o momento da marca;
- O uso de anestesia e analgésico não resultou em diferenças significativas no ganho de peso ou na maioria dos indicadores comportamentais;
- O grupo controle (sem alívio da dor) foi o que apresentou maior tensão facial 5 dias após a marca, sugerindo dor persistente;
- O estresse da contenção e da manipulação facial parece ter mascarado os efeitos dos tratamentos de dor nos comportamentos avaliados;
- A marca a fogo na face compromete o bem-estar animal de forma evidente — independentemente do protocolo de analgesia.
O que isso significa na prática
Aplicar anestesia ou anti-inflamatório no momento da marca a fogo não é suficiente para proteger o bem-estar. A contenção intensa, o calor do ferro e a dor aguda do procedimento resultam em medo, estresse e sofrimento — que não são resolvidos com medicação isolada.
Por isso, os autores recomendam que a marca a fogo na face seja eliminada, e que o Brasil siga o exemplo de outros países, adotando métodos mais éticos e seguros, como tatuagens, brincos ou identificação eletrônica.
Referência:
Hernandez, A. et al. (2022). Limited Effects of Pain Control Treatments on Behaviour and Weight Gain of Pure and Crossbred Nellore Heifer Calves When Subjected to Hot-Iron Branding. Animals, 12(23), 3143. https://doi.org/10.3390/ani12223143
Texto escrito por Janaina Braga – Sócia-fundadora da BE.Animal
